Evandro Arantes

Lutando a favor do Meio Ambiente!

Arquivado em outubro de 2008

17 de outubro de 2008

Metade da Amazônia pode acabar até 2050

Postado por Evandro Arantes às 0:53 horas

Um estudo apresentado neste ano de 2006 diz que 47% da Amazônia vai acabar até 2050, uma projeção alarmante se considerarmos os efeitos devastadores no planeta que essa destruição irá causar.

Um trabalho apresentado por pesquisadores brasileiros e americanos elimina um tanto de dúvidas sobre o papel do governo na preservação da Amazônia. Segundo eles, pode sobrar apenas 53% da floresta em 2050 se nenhuma ação for feita e o movimento de devastação continuar do jeito que é hoje. Em compensação, políticas públicas efetivas e responsáveis elevariam para 73% o índice de floresta em pé.

Essas são duas realidades, a mais pessimista e a mais otimista, de oito modelos gerados pelo grupo. A escrição é feita na revista científica britânica Nature (www.nature.com).

O modelo pessimista considera que nada mudará nos próximos anos: as taxas de desmatamento continuarão altas, estradas serão abertas e pavimentadas, o cumprimento da legislação ambiental continuará fraco e nenhuma unidade de conservação será criada.

Seguindo essa lógica, 85% de florestas fora das áreas protegidas serão derrubadas, e mesmo dentro delas 40% da vegetação cairá. Oito das doze bacias hidrográficas da região perderão metade de sua cobertura vegetal, com impacto no fornecimento de água que pode levar, num último momento, à troca de floresta por pasto.

O corte das árvores vai liberar uma quantidade de carbono na atmosfera equivalente a quatro anos de emissão em todo o mundo, piorando o efeito estufa. Hoje, o Brasil já é o quarto ou quinto campeão de emissões justamente por causa do desmatamento e da mudança do solo.

Por outro lado, se houver um cenário pautado por legislação forte, expansão das áreas protegidas, controle do desmatamento e acerto da situação fundiária, isso segurará a destruição da floresta. As unidades de conservação manteriam 100% de suas árvores em pé, e, do lado de fora, a derrubada seria de 50%. A emissão de carbono também seria controlada.

“Pela primeira vez temos um modelo sofisticado para avaliar a política pública na Amazônia”, diz Daniel Nepstad, do Centro de Pesquisa de Woods Hole e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), co-autor da pesquisa.

Estudos anteriores demonstraram o impacto da economia, especialmente o da agropecuária, na derrubada ou na conservação da floresta. O fortalecimento do setor passa pelo apoio dos governos estaduais e federal, como na concessão de linhas de crédito e na formação de infra-estrutura, como estradas e hidrovias. Já a falta de acerto da situação fundiária na Amazônia fortalece a grilagem, enquanto uma fiscalização míope favorece o corte ilegal.

Por outro lado, unidades de conservação e terras indígenas têm ajudado a conter o desmatamento em algumas regiões, apesar de sofrerem muita pressão quando tudo ao redor já caiu. É o que acontece em Rondônia, Estado que tem um mosaico de parques e reservas dentro de um zoneamento econômico-ambiental. Lá, o que está fora da área de proteção já foi mexido.

“Uma estratégia de conservação deve levar em conta não só a formação de áreas protegidas”, diz Britaldo Silveira Soares Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, co-autor do trabalho. As propriedades privadas devem ser incluídas nas políticas de conservação da Amazônia, dizem os pesquisadores. Nepstad acredita que o setor agropecuário buscará seguir as políticas ambientais corretas para satisfazer um mercado internacional exigente.

Um caminho alternativo que ambos defendem é o uso do “desmatamento evitado” para contar créditos de carbono, o que valorizaria a floresta em pé. A tese, no entanto, sofre oposição do Itamaraty e do Ministério de Ciência e Tecnologia, que não pretendem encampar a idéia por enquanto. Na nossa ótica este atraso governamental mostra que a sociedade não pode mais se calar diante da omissão de um governo que a cada dia mostra que sua eficácia de ação está comprometendo o futuro do país e até mesmo do planeta devido a questões meramente politiqueiras e burocráticas e até muitas vezes por incompetência mesmo de certos setores governamentais que defende uma visão míope no trato da coisa ambiental.

Recente campanha do Greenpeace na Europa contra a derrubada da mata para plantio de soja transgênica está surtido efeito e várias cadeias de ‘fast food’ européias já estão aderindo a idéia de não mais comercializarem produtos a base de soja advinda de áreas da floresta amazônica. Surpreendetemente até a rede Mac’Donalds está tendendo a aderir a esta campanha.

O que na realidade estes executivos estão preocupados é com a a crescente demanda da opinião pública mundial quanto aos perigos da devastação da floresta, produzindo a cada dia consumidores mais exigentes e comprometidos a não aceitarem os desmandos do governo brasileiro na ingerência dos planos conservacionistas da mata. Vemos a questão sobre o seguinte prisma: para a floresta amazônica a regra deve ser devastação zero, ou seja, a floresta deve ser preservada a todo custo, deve permanecer intacta, isso ao contrário das expectativas lançadas recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente de se explorar áreas de forma controlada naquela região. Esta lei deve cair o quanto antes e a nova lei deveria dizer: a amazônia é do povo brasileiro e nela não se toca, a duras penas de quem descumprir tais determinações.

Publicado no Jornal Nova Imprensa

17 de outubro de 2008

Rumo a uma nova Universidade Pública

Postado por Evandro Arantes às 0:52 horas

Ao continuarmos esse debate sobre o sistema educacional brasileiro e nos inteirarmos das agruras cometidas contra a educação superior, iremos perceber o quanto esta se encontra vilipendiada.

Mister faz-se notar, que o imperativo maior da educação pública, remete-se ao santuário da consciência obsequiosa do ser, que transforma sua cognição em trabalho e operacionalidade, e a este exercício que reúne a lógica, o conhecimento e a investigação fenomenológica, academicamente é denominado pesquisa.

Mas o que dizer de um governo que se propõe a ditar normas à consciência crítica de seus pesquisadores através do que ele chama de reforma universitária?

Pois é exatamente isso que a tal proposta de reforma está imaginando fazer.

Em rota de colisão, numa oposição frontal, as críticas ofertadas pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC são de caráter duríssimo contra essa intentona satânica que urde acertivamente contra o livre exercício da consciência.

A SBPC ao propor suas sugestões pautadas no campo da ética, do direito e do livre pensar ao ante projeto de reforma, encontra obstáculos na demagógica figura do Ministério da Educação e Cultura, que promete expor sua truculência e subjugar a pesquisa no Brasil aos caprichos e ditames desnorteados de sua economia política, cujos interesses se voltam única e exclusivamente à prática populista e eleitoreira, a captar votos para seus protegidos, os quais de tanto nada fazerem, nababos da omissão, são estes por demais já conhecidos pelo sofrido e injustiçado eleitorado brasileiro.

Sem embargo, esta análise se faz complexa, o que não obstante, não nos tira a liberdade de a analisarmos e propormos algum consenso que seja virtualmente correspondente à verdade.

Para isto, vamos agir exatamente como pesquisadores de bancada e vislumbrarmos esta proposta e suas considerações a partir da ótica amostral, que certamente nos conduzirá em triunfo.

Há algum tempo atrás o jornal vespertino da TV Bandeirantes Minas, por seu jornalista Celso Bernardes reportou as dificuldades enfrentadas atualmente por uma das maiores universidades do país, a UFMG, cujo campus situa-se na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Informava a reportagem que as dificuldades por que passa a UFMG são tantas, que essa “mega” universidade pública em muitas ocasiões deixa de honrar até com seus compromissos financeiros para pagamento da conta de energia elétrica. Mas dá para se acreditar numa coisa dessas? Pois podemos acreditar, é fato consumado e tragicomizado. Daí vem a pergunta óbvia e comparativa. Se nem a conta de energia elétrica se consegue pagar, então qual é exatamente a distância entre o ali é praticado e a verdadeira necessidade de pesquisa a ela encomendada em face aos clamores e necessidades prementes de nossa sociedade em seus suspiros existenciais? Ou será que a resposta desse grupo acadêmico aos seus dependentes é o pressuposto da Divina Comédia, de Dante Aleghieri … todos ao inferno. O precipitado da morte e do abismo. É isso o caos?

Outro parâmetro aqui eleito a provar os motivos óbvios e mensuráveis de nossa preocupação com os rumos da pesquisa acadêmica no país, julgando de nossa parte que a nação merece e necessita melhor sorte em sua trajetória como povo e nação, citamos aqui o que lemos publicado recentemente no site da Sociedade Brasileira de Química – SBQ.

Nesta publicação, um pesquisador brasileiro da área de química, faz um relato de sua performance como pesquisador em um país da Europa, a França. Além de expor as gritantes diferenças encontradas em termos de investimentos na compra de aparelhagens científicas necessárias para o bom andamento de suas pesquisas, faz ele um comparativo cultural entre o que seria aqui no Brasil sua produção científica e a realidade que está vivendo lá na França. Segundo ele, caso estivesse sendo desenvolvido no Brasil seu projeto de doutorado, o máximo de artigos que teria publicado em seus dois primeiros anos de pesquisa seria de apenas um, enquanto que na França já havia publicado oito artigos.

Ora, se você tem dificuldade em vislumbrar esta realidade, imagine da seguinte maneira: se o seu time preferido perdeu a última partida por 1 X 0 ou 2 X 0, você dirá que fora mera sorte ao acaso, um acidente de percurso, e que na próxima partida ele ganhará. Pois é, mas se o seu time perdeu a última partida pelo placar de 8 X 1 , você ainda terá capacidade de defender o treinador e a diretoria de seu time e ainda imaginar que ele é bom demais, e que irá ganhar na próxima partida? Bem difícil de convencer não?

Mas a dura realidade é esta mesma. O Brasil perde para a França de 8 X 1 e a tendência da situação é piorar ainda mais, caso medidas enérgicas e imediatas não sejam tomadas para mudar o rumo desse estado de letargia institucional que hoje impera.

É uma situação de politicagem cruel e desonesta em cima da educação pública no Brasil, cujo governo mais se preocupa com reformas de churrasqueiras, aviões de luxo, marafa engarrafada, notas verdes na banca especulativa internacional e ainda de gorjeta invade a internet com fotos eróticas que escamoteiam a moral e os bons costumes de seu povo ao expor os gabinetes públicos de Brasília usados como cenário de pornografia e prostituição. Será isso o caos?

Precisaríamos mesmo um livro inteiro a escrever sobre a dura realidade da universidade no Brasil, que carece sobretudo de falta de vagas e equipamentos para a pesquisa a nível de mestrado, doutorado e pós doutorado, enquanto que o potencial da juventude e de seus pesquisadores, vai a cada dia sendo arquivado, no arquivo eterno de suas sepulturas.

Eu tinha a esperança que este governo do Lula, depois de tantos anos de governos da direita conservadora, abriria pelo menos duas universidades federais novas em cada estado brasileiro, mas até agora …ZERO E FOME DE PESQUISAR.

E se você observar em detalhes, o oeste de Minas continua sendo a única região do estado onde não temos acesso e disponibilidade de pesquisa em termos de uma universidade com capacidade tecnológica real de pesquisa acadêmica, ou seja, uma universidade pública federal.

Estamos iniciando este movimento e vamos marchar como um exército rumo a batalha para conseguirmos o nosso direito … QUEREMOS UMA UNIVERSIDADE FEDERAL PARA O OESTE DE MINAS GERAIS … CUSTE O QUE CUSTAR …VAMOS LUTAR E CONSEGUIR. ENGAJE CONOSCO NESTA LUTA.