FESTA DO PURIM JUDAICO
Comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, tal como está escrito no Meguilat Ester, um dos 24 livros do TanaKh. Os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão e a dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia.
O nome “Purim” vem da palavra hebraica “pur” (פורים), que significa “sorteio”. Este era o método usado por Hamâ, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh (Assuero) da Pérsia, para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país.
Contudo, os planos de Hamã foram frustrados pela Rainha Ester e Mordechai. Arriscando sua própria vida, Ester fez um apelo ao Rei para que salvasse seu povo, e a ordem de Hamã foi revogada. Assim, aqueles dias fatais transformaram-se, conforme a linguagem da Meguilat que lemos em Purim, “de tristeza em alegria”, e o décimo-quarto dia do mês de Adar Sheni é comemorado festivamente. Esses fatos ocorreram por volta de 450 anos antes da Era Cristã.
Jejum de Ester (Taanit Ester)
Então disse Ester que respondessem a Mordechai: “Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Shushan, e jejuai por mim; não comais nem bebais três dias, nem de noite nem de dia; e eu e as minhas moças também jejuaremos. Depois irei ter com o rei, ainda que seja contra a lei, e se perecer, perecerei”. Então se foi Mordechai e tudo fez segundo Ester lhe havia ordenado (Ester 4:15-17).
Em memória a este fato, o Jejum de Ester (Taanit Ester) é realizado no dia
13 de Adar, no dia que antecede Purim. O jejum começa antes de amanhecer e termina após o anoitecer.
Cabe lembrar que o jejum público solicitado por Ester não ocorreu no décimo-terceiro dia de Adar. Algumas autoridades religiosas oferecem outra explicação: quando os filhos de Israel uniram-se em 13 de Adar Sheni para defender-se de seus inimigos, encontravam-se em estado de guerra - e a preparação para uma guerra sempre inclui o jejum coletivo.
Normalmente, quando um dia de jejum cai no sábado, ele é adiado para o domingo. No entanto, quando o dia 13 de Adar Sheni cai no Shabbat, o jejum é antecipado para a quinta-feira. A razão, segundo Maimônides, é que historicamente “o jejum de Purim tem que preceder à celebração”.
Purim
A festa de Purim é caracterizada pela recitação pública do Livro de Ester por duas vezes, distribuição de comida e dinheiro aos pobres, presentes e a refeição de celebração (Ester 9: 22); e pode haver também comemoração pública.
Mordechai escreveu estas coisas e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Achashverrosh (Assuero), aos de perto e aos de longe, ordenando-lhes que comemorassem o dia quatorze do mês de Adar Sheni, e o dia quinze do mesmo, todos os anos, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria e de luto em dia de festa; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres (Ester 9:20-22).
Purim é celebrado anualmente no 14º dia do mês hebraico de Adar Sheni, o dia seguinte à vitória dos judeus sobre seus inimigos (13 de Adar Sheni). Em cidades que eram muradas no tempo de Josué, incluindo Shushan (Susã) e Jerusalém, Purim é celebrado no 15º dia do mês, conhecido como Purim Shushan. Assim como todas as festas judaicas, Purim tem início ao pôr-do-sol da véspera no calendário secular.
Por isso, àqueles dias chamam pelo nome de “Purim”, por causa do “Pur”. Por causa de todas as palavras daquela carta e do que testemunharam e do que lhes havia sucedido, determinaram os judeus e tomaram sobre si, sobre a sua descendência e sobre todos os que se chegassem a eles (os prosélitos), que não se deixaria de comemorar estes dois dias segundo o que escrevera deles, e segundo o seu tempo marcado, todos os anos; e que estes dias seriam lembrados (com leitura da Meguilat) e comemorados geração após geração, por todas as famílias, em todas as províncias e em todas as cidades, e que estes dias de Purim jamais caducariam entre os judeus, e que a memória deles jamais se extinguirá entre os seus descendentes. Então a rainha Ester, filha de Abichail, e o judeu Mordechai escreveram com toda a autoridade pela segunda vez (no ano seguinte), o poder do milagre que aconteceu, para confirmar a carta de “Purim”. Expediram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Achashverósh (Assuero), com palavras amigáveis e sinceras; para confirmar estes dias de “Purim” nos seus tempos determinados, como o judeu Mordechai e a rainha Ester lhes tinha estabelecido e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu lamento (Ester 9:26-32).
O Livro de Ester registra uma série de eventos aparentemente não relacionados que aconteceram em um período de mais de nove anos durante o reinado do Rei Assuero. Esses eventos coincidentes, quando vistos juntos, devem ser vistos como certeza da intervençãode Elohim Yahúh, de acordo
com interpretações por comentários Talmúdicos e outros sobre a Meguilat.
O Festival
O festival de Purim sempre foi muito estimado pelo judaísmo; alguns têm sustentado que quando todos os trabalhos proféticos e hagiográficos forem esquecidos, o Livro de Ester ainda será lembrado, e, portanto, o Jejum de Purim continuará a ser observado.
Assim como em Chanukah, Purim tem mais um caráter nacional que religioso, e seu status como feriado tem um nível inferior àqueles consagrados pela Toráh. Assim, transações comerciais e mesmo trabalho manual são permitidos em Purim.
As quatro principais mitzvot do dia são:
Kriat Hameguilat (A Leitura da Meguilat)
Deve-se ouvir duas vezes a leitura da Meguilat Ester: uma na noite de Purim e a outra pela manhã. As duas leituras são obrigatórias para cumprir a mitzvah (preceito). Toda vez que o nome de Hamã for mencionado (com algum adjetivo) é costume fazer barulho com o reco-reco (Raashanim) e bate-se o pé no chão para abafar o amaldiçoado nome.
Mishloah Manot (Envio de alimentos para amigos)
Envio de alimentos a pelo menos um amigo no decorrer do dia de Purim que devem ser de duas espécies (fruta, massa e/ou bebida), prontos para consumo e entregues através de um mensageiro. Se possível, enviar através de um terceiro, mulheres para mulheres e homens para homens durante o dia de Purim. As crianças podem e devem ser mensageiros muito animados para fazer a entrega dos Mishloach Manot.
Matanot Le’evionim (Presentes para os necessitados)
Doa-se uma quantia em dinheiro para pelo menos duas pessoas carentes no decorrer do dia de Purim. Na impossibilidade, pôr o dinheiro numa caixinha de tzedakah.
Seudat Purim (Participando de uma refeição festiva)
Uma refeição festiva é realizada ainda durante o dia de Purim e deve conter pão, fruto da videira e carne. A razão do costume é celebrar o milagre que começou no banquete preparado por Ester para o Rei Achashverosh (Assuero) e Hamã.
Esta estrada foi postada
dia 7 de novembro de 2009 às 0:19 horas
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