Evandro Arantes

Lutando a favor do Meio Ambiente!

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17 de outubro de 2008

Um dos ramos mais difundidos em termos de modernidade científica atualmente, versa sobre o desenvolvimento de novas técnicas no ramo da química conhecido como Química Analítica.

A corrente de pesquisadores, por assim considerada, ‘mais progressista‘ nesta área, defende a tese de que ao se determinar com maior precisão analítica, tanto quantitativa como qualitativamente uma maior gama de micro poluentes, mais se terá apurado esta técnica e ao mesmo tempo tê-la aprofundado no sentido de se utilizá-la em diversas demandas científicas e tecnológicas.

Nesta empreitada o Brasil se destaca hoje como referência mundial, através da corrente de pesquisadores liderada pelo Prof. PhD Fernando Mauro Lanças da USP de São Carlos, ao desenvolver a chamada Técnica Hifenada para análise de micro poluentes.

A expressão hifenada que nomeia a técnica é atribuída devido ao fato de ser ela uma acoplagem de três técnicas distintas em análise química, quais sejam: Cromatografia, Espectroscopia de Absorção Atômica e Ressonância Magnética Nuclear (RMN). Isto é, uma acoplagem de três técnicas bastante sensibilizadas de análise, o que segundo a doutrina, confere ao analito uma precisão de erro próxima de zero.

E tem mais, além da técnica acima descrita, ha outra variante que confere confiabilidade notória a esta tecnologia, a de usar como extrator do analito o chamado fluido supercrítico, que pode ser entendido de forma usual como sendo um estado intermediário entre o estado líquido e o estado vapor de um determinada substância, cujo resultado se obtém através de variantes de temperatura e pressão.

Mas que tipo de micro poluentes seriam tão difíceis de serem detectados analiticamente? Notadamente os chamados Poluentes Orgânicos Persistentes (POP’s), que são poluentes de elevada toxidade, cuja ação no organismo humano é cancerígena. As duas características assustadoras desses compostos químicos é que eles além de serem persistentes na natureza (não são degradados) também são acumulativos no corpo humano (não são excretados).

Um exemplo que tem sido muito usado como amostra da validade desta técnica é a detecção da substâncias cancerígena BENZOPIRENO (é uma das substâncias que constam na “lista negra” do departamento ambiental dos EUA, o conhecido EPA).

Quantidades amostrais significativas de benzopireno são encontrados nas nuvens de particulados produzidas nas queimadas de canaviais no estado de São Paulo.

Neste caso seria óbvio concluir também que queimadas de outras espécies vegetais, comuns em diversas regiões do país, são fontes abundantes de particulados cancerígenos.

Mas isso quer dizer que a técnica hifenada resolve o problema da análise apertando um simples botãozinho ? Não é bem assim, explica o Dr. Fernando Lanças. Existem uma série de etapas usuais no desenvolvimento de amostras em metodologia analítica. Não difícil de entender é que a qualidade da amostra constitui o melhor caminho na determinação do sucesso da análise.

Algumas etapas seriam: a) estudos preliminares com padrões analíticos b) otimização da separação cromatográfica com padrões analíticos c) fortificação de matriz com solução de concentração conhecida do analito em estudo d) extração do analito da matriz fortificada. Otimização e) desenvolvimento de métodos de quantificação f) verificação do funcionamento preliminar da metodologia com amostras “reais” g) validação da metodologia desenvolvida h) emprego da metodologia (validade) na análise quantitativa de amostras reais. Seguidos estes passos no tratamento da amostra tem-se um número bem próximo de 100% na qualidade da análise.

Salta aos olhos e vale ressaltar que recente pesquisa publicada neste jornal mostra o assustador crescimento do número de mortes causadas por câncer em nossa cidade. Seria mera coincidência ou uma triste constatação? Seja qual for a resposta, o problema é grave e exige ações concretas e imediatas em favor de nossa população tão sofrida e oprimida pelo descontrole ambiental que vivemos.