Evandro Arantes

Lutando a favor do Meio Ambiente!
7 de novembro de 2008

Os Estados Unidos caminham para a destruição?

Postado por Evandro Arantes às 0:21 horas
Dan Vergano

Pesquisa questiona se os EUA estão no limiar de sua autodestruição
Será que os americanos estão seguindo o caminho já percorrido pelos maias?
Os americanos estão seguindo os passos da civilização Maia?
O vencedor do premio Pulitzer Jared Diamond considera a possibilidade de que as modernas civilizações venham a desaparecer, seguindo o rumo dos antigos Maias, do Reino Polinésio da Ilha de Páscoa, dos Vikings da Groenlândia e dos Anasazi do sudoeste dos EUA.
Em seu novo livro, “Collapse: How Societies Choose to Fail or Succeed”(Colapso: Como as Sociedades Escolhem entre o Fracasso e o Sucesso, lançado nos Estados Unidos pela editora Viking, por US$ 29.95), Diamond observa as civilizações que sucumbiram. E ele faz uma reflexão sobre como as sociedades contemporâneas poderão se esquivar do destino de suas desaparecidas antecessoras.
Diamond apresenta relatos detalhados das civilizações exterminadas, começando com as mais antigas para depois se deter em fracassos contemporâneos, em locais como Rwanda e o Haiti. Ele também estuda os casos de sucesso, como a Islândia e o Japão, que superaram seus problemas ambientais.
“Eu vejo cada capítulo como parte de uma grande história detetivesca”, diz Diamond, 67 anos, professor de geografia na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). O livro anterior de Diamond, “Guns, Germs and Steel” (Armas, Germes e Aço), que lhe rendeu o Prêmio Pulitzer, foi um surpreendente campeão de vendas, trazendo um olhar revigorante sobre os fatores geográficos que levaram à ascensão das nações ocidentais.
Diamond andou em ziguezague pela sua carreira. Treinado como médico fisiologista, ele fala 12 idiomas e também é um renomado especialista em vesícula biliar e…nos pássaros da Papua Nova Guinea. “Acho que me dei conta que a sociedade humana é mais importante que a vesícula biliar”, constata Diamond.
E os estudos que ele faz, observando o que acontece tanto no Estado de Montana como na China e em Rwanda, não lhe deram garantias quanto ao futuro da sociedade moderna.
A devastação das florestas tropicais, a escassez de peixes no oceano, erosão generalizada do solo, declínio das reservas de petróleo e de gás natural e a poluição crescente são problemas que acontecem em todo o planeta.
O mais preocupante, segundo Diamond, é o aumento previsto para a população mundial, que deverá crescer 50 por cento nos próximos 50 anos, o que acontece num período histórico em que as nações do terceiro mundo buscam estilos de vida semelhantes ao do primeiro mundo, o que deverá multiplicar a utilização de seus recursos naturais cerca de 32 vezes.
“O que está ocorrendo é uma corrida de cavalos exponencial, entre as forças da destruição e as forças da sanidade”, ele diz. “Saberemos quem foi o vencedor já nas próximas décadas”.
Desde o “Ensaio sobre as Populações” de Thomas Malthus, escrito em 1798, pensadores têm alertado sobre os perigos sociais do crescimento descontrolado. Diamond diz que ignorar esses alertas é ignorar a história das sociedades que consumiram indiscriminadamente seus recursos e aumentaram sua produção e a população até o ponto de colapso.
O livro “Collapse” chega num momento fértil para historiadores, antropólogos e analistas políticos que estudam o declínio das civilizações, acredita o cientista político Thomas Homer-Dixon, da universidade de Toronto.
Esse campo de estudos cresceu nas últimas duas décadas, para constituir uma autêntica e autônoma disciplina acadêmica. E embora muitos dos estudiosos dessa nova disciplina tenham as mesmas preocupações de Diamond, é variável a avaliação deles sobre a ênfase que ele dá aos fatores ambientais.
“Eu espero que o livro realmente obrigue as pessoas preocupadas com o colapso civilizatório a encarar seriamente os problemas que enfrentamos”, diz o historiador ambiental aposentado Alfred Crosby, da Universidade de Texas em Austin. “O livro não faz alarde sobre nossos problemas, mas coloca as coisas de um jeito que particularmente me assusta muito.”
“A virtude do livro é que ele proporciona uma maneira bem sistemática de se observar os papéis dos fatores ambientais no colapso e declínio civilizatório e político”, diz o historiador da Universidade de Georgetown John McNeill. Mas ele faz uma ressalva: “Minha posição pessoal nessa história é um pouco mais complicada”.
Joseph Tainter, autor de um importante livro escrito em 1988, “The Collapse of Complex Societies (O Colapso das Sociedades Complexas)” considera que o meio ambiente é apenas um dos problemas da civilização. Como exemplo de sua visão, a Roma Antiga –que não é abordada no livro de Diamond– desmoronou porque o império se tornou caro e complexo demais, diante de perigos como invasões bárbaras e epidemias.
“Quando fica impossível a resolução de seus problemas, você se torna vulnerável ao colapso”, diz Tainter.
A antropóloga Lisa Lucero da Universidade Estadual do Novo México em Las Cruces contesta o ponto de vista de Diamond quanto ao colapso da civilização Maia. Ela acha que ele aceitou uma estimativa excessivamente alta, quando disse que “milhões” de maias haviam desaparecido subitamente.
“Não há provas de que tenha havido violência e doenças em grandes proporções entre os Maias clássicos”, diz a antropóloga. A população simplesmente se dispersou devido a uma seca devastadora, Segundo Lisa Lucero.
Diamond desmente que seja um profeta da destruição. Ele deposita sua fé no poder das comunicações globais contemporâneas e no florescimento dos movimentos ecológicos como instrumentos de salvação para as sociedades modernas.
“Ainda estou otimista quanto ao futuro”, diz o autor. “O fato de que temos a capacidade de aprender do que ocorreu no passado é nosso maior motivo de esperança”.
Fatores de colapso
No livro “Colapso: Como as Sociedades Escolhem entre o Fracasso e o Sucesso”, Jared Diamond define o colapso de uma civilização como uma “drástica diminuição no tamanho da população e/ou na complexidade política/econômica/social, num território considerável, por um longo tempo”.
Ele detecta cinco fatores que causam o fracasso das sociedades:
*Danos ambientais
Na Ilha de Páscoa, no Pacífico Sul, a devastação das florestas levou à guerra, revoltas e a uma queda na população, por volta do ano 1600.
*Mudanças climáticas
Para o povo Anasazi do sudoeste dos Estados Unidos, anos de severas secas resultaram na decadência, no ano 1200.
*Vizinhos hostis
Para os Maias na América Central, a hostilidade dos vizinhos (somada à devastação ambiental e às mudanças climáticas) conduziu ao colapso, por volta do ano 850.
*Falta de parceiros comerciais
Na Polinésia, as populações das Ilhas Henderson e Pitcairn foram extinguindo seu sistema comercial, antes de desaparecerem, por volta do ano 1500.
*Ausência de reações por parte da sociedade
Os Vikings que colonizaram a Groenlândia não conseguiram reagir à destruição das florestas, à mudança climática, aos vizinhos hostis e à ausência de comércio, o que levou ao desaparecimento de sua civilização, por volta do ano 1450.
Tradução: Marcelo Godoy
17 de outubro de 2008

Metade da Amazônia pode acabar até 2050

Postado por Evandro Arantes às 0:53 horas

Um estudo apresentado neste ano de 2006 diz que 47% da Amazônia vai acabar até 2050, uma projeção alarmante se considerarmos os efeitos devastadores no planeta que essa destruição irá causar.

Um trabalho apresentado por pesquisadores brasileiros e americanos elimina um tanto de dúvidas sobre o papel do governo na preservação da Amazônia. Segundo eles, pode sobrar apenas 53% da floresta em 2050 se nenhuma ação for feita e o movimento de devastação continuar do jeito que é hoje. Em compensação, políticas públicas efetivas e responsáveis elevariam para 73% o índice de floresta em pé.

Essas são duas realidades, a mais pessimista e a mais otimista, de oito modelos gerados pelo grupo. A escrição é feita na revista científica britânica Nature (www.nature.com).

O modelo pessimista considera que nada mudará nos próximos anos: as taxas de desmatamento continuarão altas, estradas serão abertas e pavimentadas, o cumprimento da legislação ambiental continuará fraco e nenhuma unidade de conservação será criada.

Seguindo essa lógica, 85% de florestas fora das áreas protegidas serão derrubadas, e mesmo dentro delas 40% da vegetação cairá. Oito das doze bacias hidrográficas da região perderão metade de sua cobertura vegetal, com impacto no fornecimento de água que pode levar, num último momento, à troca de floresta por pasto.

O corte das árvores vai liberar uma quantidade de carbono na atmosfera equivalente a quatro anos de emissão em todo o mundo, piorando o efeito estufa. Hoje, o Brasil já é o quarto ou quinto campeão de emissões justamente por causa do desmatamento e da mudança do solo.

Por outro lado, se houver um cenário pautado por legislação forte, expansão das áreas protegidas, controle do desmatamento e acerto da situação fundiária, isso segurará a destruição da floresta. As unidades de conservação manteriam 100% de suas árvores em pé, e, do lado de fora, a derrubada seria de 50%. A emissão de carbono também seria controlada.

“Pela primeira vez temos um modelo sofisticado para avaliar a política pública na Amazônia”, diz Daniel Nepstad, do Centro de Pesquisa de Woods Hole e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), co-autor da pesquisa.

Estudos anteriores demonstraram o impacto da economia, especialmente o da agropecuária, na derrubada ou na conservação da floresta. O fortalecimento do setor passa pelo apoio dos governos estaduais e federal, como na concessão de linhas de crédito e na formação de infra-estrutura, como estradas e hidrovias. Já a falta de acerto da situação fundiária na Amazônia fortalece a grilagem, enquanto uma fiscalização míope favorece o corte ilegal.

Por outro lado, unidades de conservação e terras indígenas têm ajudado a conter o desmatamento em algumas regiões, apesar de sofrerem muita pressão quando tudo ao redor já caiu. É o que acontece em Rondônia, Estado que tem um mosaico de parques e reservas dentro de um zoneamento econômico-ambiental. Lá, o que está fora da área de proteção já foi mexido.

“Uma estratégia de conservação deve levar em conta não só a formação de áreas protegidas”, diz Britaldo Silveira Soares Filho, da Universidade Federal de Minas Gerais, co-autor do trabalho. As propriedades privadas devem ser incluídas nas políticas de conservação da Amazônia, dizem os pesquisadores. Nepstad acredita que o setor agropecuário buscará seguir as políticas ambientais corretas para satisfazer um mercado internacional exigente.

Um caminho alternativo que ambos defendem é o uso do “desmatamento evitado” para contar créditos de carbono, o que valorizaria a floresta em pé. A tese, no entanto, sofre oposição do Itamaraty e do Ministério de Ciência e Tecnologia, que não pretendem encampar a idéia por enquanto. Na nossa ótica este atraso governamental mostra que a sociedade não pode mais se calar diante da omissão de um governo que a cada dia mostra que sua eficácia de ação está comprometendo o futuro do país e até mesmo do planeta devido a questões meramente politiqueiras e burocráticas e até muitas vezes por incompetência mesmo de certos setores governamentais que defende uma visão míope no trato da coisa ambiental.

Recente campanha do Greenpeace na Europa contra a derrubada da mata para plantio de soja transgênica está surtido efeito e várias cadeias de ‘fast food’ européias já estão aderindo a idéia de não mais comercializarem produtos a base de soja advinda de áreas da floresta amazônica. Surpreendetemente até a rede Mac’Donalds está tendendo a aderir a esta campanha.

O que na realidade estes executivos estão preocupados é com a a crescente demanda da opinião pública mundial quanto aos perigos da devastação da floresta, produzindo a cada dia consumidores mais exigentes e comprometidos a não aceitarem os desmandos do governo brasileiro na ingerência dos planos conservacionistas da mata. Vemos a questão sobre o seguinte prisma: para a floresta amazônica a regra deve ser devastação zero, ou seja, a floresta deve ser preservada a todo custo, deve permanecer intacta, isso ao contrário das expectativas lançadas recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente de se explorar áreas de forma controlada naquela região. Esta lei deve cair o quanto antes e a nova lei deveria dizer: a amazônia é do povo brasileiro e nela não se toca, a duras penas de quem descumprir tais determinações.

Publicado no Jornal Nova Imprensa