Evandro Arantes

Lutando a favor do Meio Ambiente!
17 de outubro de 2008

Comprovado! Em Marte não existem marcianos.

Postado por Evandro Arantes às 1:02 horas

Sim, é isso mesmo, no planeta Marte não há homenzinhos verdes como se esperava. A comprovação científica da ausência de vida inteligente em Marte se deu através de recentes missões científicas àquele planeta conforme explicaremos alguns detalhes.
Mas antes disso, vale um pouco de saudosismo neste corolário, refiro-me à lembrança de minha adolescência, quando ouvia no rádio a letra da música de uma famosa cantora àquela época, de nome Elis Regina, que dizia: “ alô … alô marciano, aqui quem fala é da Terra … “. A saudosa cantora da MPB não viveu para saber da notícia, pois em Marte não existem marcianos.
Este fato fora constatado pelas recentes missões científicas comandadas pelas agências espaciais, a norte americana NASA, através das missões Spirit e Opportunity e a Agência Espacial Européia, com a missão Mars Express.
Os robôs Spirit e Opportunity mais parecem aqueles jipes de rodas largas usados para passear nas dunas de praias do nordeste brasileiro, muito conhecidos pelos turistas.
Equipados com instrumentos de alta precisão analítica, de sensoreamento remoto, capazes de enviar além de análises químicas com precisão de erro quase insignificante, também imagens de altíssima fidelidade da superfície do planeta aos telões dos centros de controle em Terra das missões.
Dentre os 56 cientistas responsáveis pelas missões da NASA, dois brasileiros, a engenheira Jacqueline Lyra e o físico Paulo Antônio de Souza Júnior.
O físico Paulo Antônio que ingressou na missão após doutorado na Alemanha, é pesquisador da CVRD – Cia Vale do Rio Doce em Vitória (ES). Jovem de 32 anos, nasceu em Campo Grande (MS), já morou e estudou em Minas, em Conselheiro Lafaiete e Juiz de Fora quando jovem estudante secundarista, indo estudar engenharia elétrica e física na Universidade Federal do Espírito Santo, tendo sido um dos responsáveis pela miniaturização de um aparelho intitulado Mimos II, que se trata de um receptor inteligente que identifica e quantifica compostos ferrosos por ressonância magnética nuclear (RMN) com raios gama (radiação de altíssima intensidade energética, a mesma das bombas nucleares).
Segundo Paulo Antônio, o futuro de suas pesquisas encontra-se junto a um laboratório de ultima geração que esta sendo montado pela Vale do Rio Doce em Vitória (ES), dotado de equipamentos analíticos, especialmente na área de ferrosos, a nível de um dos melhores do mundo.
O resultado da missão fora a constatação de que Marte é um imenso deserto, recortado por imensos vales caracterizados pela presença de grande quantidade de minerais rochosos de natureza ferrosa.
Mas por que Marte é chamado o planeta vermelho, e por que não se encontrou a vida inteligente por lá?
Fácil entender, a grande quantidade de minerais ferrosos no solo marciano liberam grandes quantidades de partículas de poeira metálica na atmosfera do planeta, que agitadas por ventos de até 400 km por hora (comuns na superfície de Marte) formam verdadeiras nuvens de poeira vermelha em grande parte do planeta, sendo que as partículas da rocha minério de ferro (muito encontrada em nosso estado) denominada hematita (o prefixo hema vem do latim vermelho), o que significa que estas rochas têm coloração avermelhada, fazendo com que visto da Terra o planeta pareça vermelho.
Para que haja vida biológica em um planeta, são necessários requisitos bioquímicos básicos, ou seja, a presença de gás metano (fonte de carbono … o principal elemento químico da vida), a presença de água e de amônia (uma molécula nitrogenada, responsável pela base de formação dos organismos vivos verdes, as plantas, na Terra).
Em Marte não se encontrou metano. Água existe em quantidades razoáveis na forma de gelo nos pólos do planeta. A presença de pequenas quantidades de amônia até que reforça a tese da possibilidade da existência de microorganismos que poderiam habitar nas profundezas do solo marciano.
Mas por que microorganismos nas profundezas e não na superfície?
A superfície de Marte é um verdadeiro “inferno químico”. A atmosfera do planeta não possui a tão necessária e hoje muito conhecida na Terra, camada de ozônio. O ozônio, um gás de coloração azulada (o céu é azul por causa do ozônio, sem ele o céu seria mesmo todo transparente). Este gás é responsável por “filtrar” a parte nociva dos raios solares, a radiação UV - ultra violeta (cuja intensidade energética pode provocar câncer numa pessoa).
Quando usamos protetor solar o fazemos justamente para nos protegermos desse tipo de radiação.
Sem a camada de ozônio e com ventos de até 400 km por hora formando nuvens de partículas de óxidos ferrosos, uma reação do tipo fotoquímica entre estes óxidos e a radiação ultra violeta vinda do sol, provocam a produção na atmosfera de Marte de compostos químicos conhecidos como superóxidos (na forma de radicais livres), ou seja, um verdadeiro “inferno atmosférico”, inviabilizando a existência de qualquer forma de vida na superfície. Como na Terra, em escavações profundas, já se encontrou a presença de microorganismos até uma profundidade de 3000 m., é possível que a presença de pequenas quantidades de amônia em Marte possa teoricamente, viabilizar a presença de microorganismos nessas profundezas, que estariam isentos do contato com o que chamamos “inferno químico” na atmosfera deste planeta.
Nas entrelinhas, será que a destruição desenfreada da camada de ozônio de nossa atmosfera também nos conduzirá a um “inferno químico” ?
Num futuro recente, as agências espaciais de vários países planejam enviar missões tripuladas a Marte. E quem sabe não teremos num futuro próximo (algo em torno de 20 a 30 anos) um astronauta brasileiro fincando a nossa bandeira verde e amarela em solo marciano. Mas o bem certo é que nossa bandeira em curtíssimo espaço de tempo ficaria vermelhinha, da cor do PT … ha…ha…ha….ha.

Mas será que o fundador do PT andou se inspirando em Marte quando desenhou a bandeira do partido, já que Marte é visto da Terra na forma de uma estrela ? Seja qual for a resposta, está comprovado cientificamente, em Marte … não existem marcianos.

Evandro Arantes Soares é professor de química e pesquisador ambiental. Presidente da ONG FUCOMA)